Cuidado, descongestionante nasal vicia!

Nessa época do ano, com as bruscas mudanças de tempo a nossa saúde não resiste a gripes e resfriados que aparecem. Sensação de sufocamento e perda parcial do olfato são apenas alguns dos incômodos que vêm acompanhados de corizas e tosses secas. Logo nos primeiros sintomas você pensa em soluções caseiras ou medicamentos de resultado rápido, como os casos dos descongestionantes nasais.

Descongestionante nasal é um medicamento de uso indiscriminado, que provoca alívio instantâneo de desobstrução, porém vicia.

Segundo o otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês, Fausto Nakandakari, o remédio não trata o problema, apenas os sintomas, fazendo com que a pessoa precise usar cada vez mais para obter o alívio desejado, tornando-se um vício – “quem tem doenças crônicas como rinite e sinusite precisa de tratamento adequado. Tratando o sintoma, quando acabar o efeito do remédio o problema vai continuar lá. E é aí que está a grande contraindicação para o uso de descongestionantes nasais”, alerta Fausto, pois os efeitos colaterais vão surgir em quem faz uso exagerado.

O remédio só é indicado em casos específicos, como resfriado – e em pessoas que não possuam problemas no coração, pois pode provocar arritmia cardíaca – “o paciente tem o sintoma, mas quando o vírus for eliminado, o nariz vai voltar para a função normal. Indicamos para o conforto do paciente nesse período”, conta.

Pessoas com rinite e sinusite encontram alívio no descongestionante e quando veem o efeito tão esperado passam a usar cada dia mais. Segundo Nakandakari, os sintomas são muitas vezes parecidos com o de um resfriado comum ou até mesmo uma gripe, normalmente o paciente não sabe diferenciar um do outro. Nessas situações ele começa a usar o remédio por conta própria e é aí que mora o perigo, a automedicação.

Não vive sem? É vício.

Cícero Matsuyama, otorrinolaringologista do Hospital CEMA, esclarece que os descongestionantes viciam por provocar o efeito rebote, ou seja, a volta dos sintomas ou até piora deles, forçando a pessoa a usar uma dose até maior para obter alívio – “se a rinite ou sinusite não for tratada adequadamente, o efeito vasoconstritor diminui e a obstrução nasal vem em dobro, levando a sucessivos usos do medicamento”, preocupa-se Matsuyama.

Quem resolve parar de usar o remédio, mas acorda com as sensações já descritas no meio da noite, precisa de ajuda. E ela vem de medicamentos que vão “acalmar” o nariz e fazer com que ele se adapte sem os fármacos descongestionantes, mas com conforto durante o abandono.

O médico explica que quem percebeu que precisa de ajuda para parar com o medicamento, necessita passar por uma avaliação de um especialista. Normalmente eles receitam corticoides nasais, para controlar os sintomas de abstinência. Em torno de 10 dias de uso já é possível deixar de sentir os efeitos adversos da falta do remédio.

Utilizar corticoides durante o tratamento, será que vicia? Segundo Nakandakari, não – “ele vai agir nas células inflamatórias dentro do nariz. Quando a pessoa suspender o remédio, não vai sentir os mesmos efeitos adversos do descongestionante, por isso o risco de ficar viciado não existe”.

Você já usou ou conhece alguém que usa o descongestionante nasal? Alerte para que procure ajuda médica.

Fontes: Coração e Vida